“Eu posso ser muitas, mas nunca a mesma. Eu posso ser qualquer uma, mas só sou uma qualquer. A soma de todas as pessoas que já fui é, agora, o resultado do que sou subtraído pelas dúvidas das que ainda serei. Eu, que poderia ser tudo, prefiro não ser nada. Há uma incoerência bonita em não ser, porque meu espírito é mutável e não permite definições. Essa permanência infinita de quem sou acaba ao o findar de cada dia. Resumo, reconstruo, reinvento. Ré. Caminhando, talvez para trás, mas sempre em movimento, porque é loucura demais desperdiçar essa vida comprida sendo uma única pessoa só.”